Estudos Bíblicos

Êxodo (28) Gênesis (50)
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Estudo Gênesis 50

Em Gênesis 50, Tal como Jacó havia pedido, José fez. Ordenou que o seu corpo fosse embalsamado e passado quarenta dias de luto, foi levado de volta a Canaã e sepultado ali.
Com o estudo de Gênesis 50 aprendemos que precisamos passar por todas as fases da vida, sem negar suas sensações. José estava triste, portanto chorou. Devemos fazer o mesmo, pelo tempo necessário. Só assim, somos capazes de seguir em frente.
Um esboço de Gênesis 50 pode ser feito da seguinte forma:

    • 50.1 – 6: O choro de José
    • 50.7 – 14: O sepultamento de Jacó
    • 50.15 – 18: O receio dos irmãos de José
    • 50.19 – 21: O perdão de José
    • 50.22 – 26: A morte de José 


O choro de José (Gênesis 50:1-6)
Até mesmo os santos sentem tristeza na morte dos seus amados. Entretanto, as promessas do Evangelho nos mantém longe do desespero que o mundo demonstra nesta hora [I Tessalonicenses 4:13]. Ao fazer os preparativos para o funeral do seu pai, José tinha três coisas para observar: O corpo de Jacó deveria ser devidamente embalsamado. No Egito isto era um processo muito elaborado. Os Egípcios eram tão habilidosos nesta arte, que hoje todos nós somos familiarizados com a extraordinária preservação de suas múmias. No caso de pessoas consideradas importantes, como Jacó, um certo período de luto era observado. Os Cristãos devem observar certos costumes, desde que estes não sejam contrários a Bíblia [Romanos 13:7]. Nós nunca devemos fazer ofensas desnecessárias [I Coríntios 10:32]. José precisava da autorização do Faraó para remover o corpo do seu pai para Canaã.

O sepultamento de Jacó (Gênesis 50:7-14)
O enterro de Jacó foi realmente um negócio de Estado e acompanhado de um grande cortejo. O Egito era a maior nação e Jacó era o pai de seu líder.
Jacó foi enterrado na mesma cova onde Abraão e Isaque foram colocados [Gênesis 49:29-32]. O povo de Deus tem tratado do corpo dos seus que partiram com muito respeito. Isto é porque eles acreditam que o corpo também foi remido por Cristo [Romanos 8:23] e será um dia ressuscitado para ser imortal [I Coríntios 15:52]. Aqueles que não crêem na futura ressurreição do corpo, não compreendem como os Cristãos encaram o enterro. O enterro é para nós mais um semear do que uma disposição do corpo.

O receio dos irmãos de José (Gênesis 50:15-18)
Não é de se admirar que os irmãos de José sentissem medo após a morte de Jacó. A culpa transforma o homem em covarde. Se eles tivessem realmente considerado o caráter de José, teriam visto que ele estava acima de qualquer vingança.
Alguns têm insinuado que os irmãos de José não foram sinceros, e que inventaram a mensagem atribuída a Jacó [vs. 16-17]. Não há razões para fazermos tais acusações. Por que razão Jacó não se importaria com a harmonia de sua família após a sua morte? Vemos novamente em José um exemplo do verdadeiro perdão:

O perdão de José (Gênesis 50:19-21)
José perdoou livremente seus irmãos. Deus o tinha colocado em uma posição de absoluto poder sobre eles [vs. 19]. Ele não dependia e nem necessitava deles. A única coisa que o motivava era o exemplo de Deus, que livremente perdoa os pecadores [Efésios 4:32]. José acreditava que Deus em Seu plano soberano podia usar até mesmo as más intenções e ações dos homens para executarem os Seus propósitos. Este conhecimento traz paz para aqueles que sofrem injustamente. O versículo 20 tem sido visto muitas vezes pelo autor deste estudo, como uma versão do Velho Testamento de Romanos 8:28. José não somente perdoou como também abençoou e confortou aqueles que o tinham tratado mal [Mateus 5:43-44].

A morte de José  (Gênesis 50:22-26)
Deus nunca falha em manter a Sua palavra. José foi abençoado como foi prometido [Gênesis 49:22-26]. Que cena tocante. Quatro gerações de homens morrem sem receberem o cumprimento da promessa de Deus, mas a fé deles nunca falha [Hebreus 11:13]. José, um príncipe no Egito, pensa somente no futuro de Israel em Canaã. Como Jacó, ele também deseja ser enterrado na terra prometida. Diferente de Jacó, ele deseja aguardar até que Deus retire a nação de Israel do Egito, antes do seu corpo ser finalmente enterrado. A fé dele foi honrada muitos anos mais tarde [Êxodo 13:18-19; Josué 24:32]. (A morte de José foi sem dúvida uma notícia de nível internacional. Que esplendor deve ter sido dedicado em memória dele. Por alguma razão a Bíblia não fala nada a respeito disso. Isto não ilustra a visão de Deus sobre isso? Somente os assuntos de ordem espiritual são de importância eterna. As honras deste mundo são vazias).
Gênesis começa com o homem no Jardim do Éden e termina com um caixão no Egito. Que desolação o pecado produziu. Desde a queda de Adão, o fim do homem tem sido a morte e o funeral neste mundo, do qual o Egito é uma figura. A melhor esperança para o futuro que o Egito pode dar é uma múmia. Que alegria saber que o fim de Gênesis não é o fim da Bíblia. O grande plano da redenção se desdobra através das Escrituras para ser consumado no livro de Apocalipse. O caixão no Egito não é o capítulo final. Através de Jesus Cristo o paraíso será restaurado. Em certo sentido as coisas terminam como começaram [Apocalipse 21 e 22] somente sendo melhores [Romanos 5:20b].

Nós chegamos no capítulo final do livro de Gênesis. Aqui é recordada a morte de Jacó e de José. Nesta ocasião, Israel não passava de uma grande família. Nada parecia mais improvável do que o cumprimento da profecia de que Israel se tornaria uma grande nação e herdaria Canaã. Mas estes dois homens morreram com uma fé inabalável.

A atitude de José deve ser a nossa. Devemos deixar as marcas do passado, para trás. Liberar perdão, viver livre, procurar enxergar o propósito de Deus, estas devem ser as nossas atitudes sempre. Assim não apenas a nossa alma, mas todo o nosso corpo viverá bem e saudável. José viveu cento e dez anos e viu até a terceira geração de seus filhos. Antes de morrer, o Senhor lhe mostrou que tiraria Israel do Egito, com isso ele pediu que quando isso acontecesse, seus ossos fossem levados com eles.
Jurando, eles garantiram que isso seria feito.
Assim, descansou o último patriarca da Aliança de Deus com Abraão. José é um exemplo de crente maravilhoso, que ainda hoje nos inspira profundamente.

<Estudo Gênesis 49
Estudo êxodo 1>

Estudo Gênesis 49

Gênesis 49, depois que abençoou seu netos, os filhos de José, Jacó reuniu seus filhos e os abençoou, profetizando sobre o futuro deles. As bênçãos prometidas, foram uma espécie de colheita do seu estilo de vida, até ali. Com o estudo de Gênesis 49 aprendemos que o nosso passado e presente, moldam o nosso futuro. As escolhas que fazemos hoje, refletem diretamente no estilo de vida e nos resultados que ela colocará diante de nós.
Um esboço de Gênesis 49 pode ser feito da seguinte forma:
    • 49.1,2: A profecia de Israel sobre seus filhos
    • 49.3,4: Sobre Rúben
    • 49.5 – 7: Sobre Simeão e Levi
    • 49.8 – 12: Sobre Judá
    • 49.13: Sobre Zebulom
    • 49.14,15: Sobre Issacar
    • 49.16 – 18: Sobre Dã
    • 49.19: Sobre Gade
    • 49.20: Sobre Aser
    • 49.21: Sobre Naftali
    • 49.22 – 26: Sobre José
    • 49.27: Sobre Benjamim
    • 49.28 – 33: A morte de Jacó 


A profecia de Israel sobre seus filhos (Gênesis 49:1,2)
Enquanto estamos vivos, e sabendo que um dia morreremos, o nosso principal interesse deveria estar na vida espiritual dos nossos filhos e descendentes. Nossas palavras e ações deveriam refletir o nosso interesse pelo bem-estar eterno [II Pedro 1: 13-15; Salmo 71:18]. Muitos personagens da Bíblia fizeram um discurso para aqueles que ficaram em vida [Deuteronômio 33; Josué 24]. Nossas vidas afetam os nossos descendentes. Enquanto Jacó possuía a habilidade profética de conhecer o futuro, isto não o impedia de fazer observações a respeito do caráter deles. Muitas vezes o caráter dos filhos afetou as tribos que descendiam deles. A profecia tem o valor prático de ajudar o povo de Deus nos dias obscuros. Demoraria muito tempo até que Israel voltasse para a terra de Canaã e muito mais para a vinda do Messias. Estas profecias deram esperança durante este período de longa espera. As profecias que ainda não se cumpriram são um conforto para o povo de Deus [I Tessalonicenses 4:13-18].

Sobre Rúben (Gênesis 49:3,4)
O pecado pode remover as pessoas das posições de liderança que ocupam no reino de Deus. A perda da honra de primogênito que Rúben sofreu, foi mencionada para nos lembrar de como o pecado pode deteriorar nossas vidas [I Crônicas 5:1]. O incesto cometido por ele, revelou o seu caráter instável. A tribo de Rúben nunca produziu um grande líder e se tornou um povo sem importância em Israel.

Sobre Simeão e Levi (Gênesis 49:5-7)
Simeão e Levi foram culpados por usar de violência e total desrespeito para com a autoridade de Jacó como pai [Gênesis 34:25-31]. Eles eram irmãos ou homens de caráter idênticos. Jacó descartou qualquer cumplicidade com as suas ações. Sem dúvida, estas duras repreensões tinham a finalidade de torná-los mais humildes.
Estas duas tribos foram dispersas quando Israel herdou Canaã. A herança de Simeão foi espalhada pela porção de Judá [Josué 19:1-9]. Levi, é claro, se tornou uma tribo sacerdotal e recebeu das cidades distribuídas para todo Israel [Josué 21]. Neste caso a punição se tornou em bênção.

Sobre Judá (Gênesis 49:8-12)
Podemos sentir a alegria de Jacó ao considerar Judá. Vamos viver de tal maneira; que venhamos a trazer alegria aos nossos pais [Provérbios 10:1]. As profecias mais abrangentes foram as relacionadas a Judá e José.
O versículo 8 declara que Judá, como uma tribo, iria ocupar uma posição de liderança. Pelo comportamento sábio demonstrado por Judá durante a última parte de sua vida, ganhou aquela posição de liderança que Rúben perdeu por causa do pecado. O versículo 9 explica que Judá, da mesma maneira que o leão, iria se tornar uma tribo poderosa. Os versículos 11-12 revelam que a vinda do Messias traria novos dias de prosperidade. As vinhas se tornariam tão comum que alguém poderia amarrar um animal a ela por não se preocuparem em quebrar a vinha e então não produzir mais fruto. O lagar ficaria tão cheio, que não somente os pés, mas também a roupa dos que pisassem as uvas ficariam manchadas. Este povo seria muito saudável em virtude da abundância de alimentos.
Muitas vezes no Velho Testamento os dois adventos de Cristo não são separados. Estas palavras demonstram a prosperidade espiritual trazida pela vinda de Cristo, e também a prosperidade material que acompanhará a Sua segunda vinda.
Esta, veio a se tornar a tribo mais importante de Isael, de onde viriam seus principais reis e de onde viria o Rei Eterno de Israel, Jesus Cristo.

Sobre Zebulom (Gênesis 49:13)
Zebulom seria uma tribo que enriqueceria pela prática do comércio marítimo.

Sobre Issacar (Gênesis 49:14,15)
Issacar seria uma tribo forte e próspera, mas não zelaria demais da sua liberdade. Eles se tornariam até mesmo servos ou pagariam tributos às outras nações para o privilégio de gozar prosperidade material.

Sobre Dã (Gênesis 49:16-18)
Dã significa juiz. Esta tribo seria um inimigo sagaz que poderia vencer um adversário maior do que ela, assim como a serpente fere o cavalo. Sansão era da tribo de Dã. (Alguns escritores antigos acreditavam que o anticristo viria desta tribo. Isto se deve ao fato dela não ser mencionada em Apocalipse 7:4-8. Eles também acreditavam que Jacó se inflamou por este motivo no versículo 18. Tudo isso é mera teoria). Jacó tinha falado a respeito da liderança de Judá, da força de Issacar e da astúcia de Dã. Aqui ele relembra a todos que Deus era a sua força e não estas coisas.

Sobre Gade (Gênesis 49:19)
Gade como uma tribo seria exposta aos ataques de bandos saqueadores, mas lutaria e os venceria. O seu território ficaria exposto aos ataques devido a localização geográfica.

Sobre Aser (Gênesis 49:20)
Aser seria uma tribo produtiva com fruto digno de servir aos banquetes reais.

Sobre Naftali (Gênesis 49:21)
Este povo amante de liberdade faria lembrar os cervos. Eles também seriam um povo eloqüente. Pense a respeito do cântico de Débora e Baraque [Juizes 4:6 e 5:1-31].

Sobre José (Gênesis 49:22-26)
A respeito de José houve uma larga e maravilhosa profecia. Nos versículos 22-23, nos é dado um quadro da sua juventude e perseguição. O versículo 24, explica que ele era sustentado por Deus, oPastor e a Rocha de Israel. Os versículos 25-26 explicam como Deus abençoou abundantemente a José. A palavra benção é usado cinco vezes para descrever o tratamento que José recebeu do Senhor. Ambos os filhos de José se tornaram em tribos. Pode ser que no versículo 26 uma referência seja dada ao fato de que todos os filhos de Jacó constituíram tribos. Jacó foi o único patriarca que não teve nenhum dos seus filhos cortado do programa de Deus para Israel.

Sobre Benjamim (Gênesis 49:27)
Como um lobo, Benjamim seria um feroz e bem sucedido oponente. Nos vêm a mente homens como Mordecai e Ehud. O Velho Testamento menciona várias vezes a habilidade dos soldados desta tribo. Nós pensamos também do apóstolo Paulo que era um batalhador pela causa do Evangelho [Filipenses 3:5].

A morte de Jacó (Gênesis 49:28-33)
Jacó deveria morrer, mas morreria na fé. O pedido para ser enterrado em Canaã revelou a sua fé nas futuras promessas de Deus. Ele desejava ser enterrado onde as tribos de Israel um dia viveriam e governariam.
Duas coisas a respeito da morte devem ser notadas aqui: A morte reúne a nossa alma com o nosso povo. Quem é o seu povo? O enterro é enfatizado porque um dia o corpo será ressuscitado. Os Cristãos sabem que Deus tem um plano futuro para o corpo [Filipenses 3:21]. Você está preparado para morrer? Você tem procurado preparar sua família para a eternidade futura? Note Provérbios 14:32.
Jacó, como um profeta, reuniu os seus filhos para falar a respeito do futuro deles como tribos de Israel. A profundidade e beleza das suas palavras revelam a espiritualidade deste patriarca. Lembre-se de que o cumprimento de algumas profecias tem importância futura. Estas tribos ainda existem dentro da nação Judaica e são reconhecidas por Deus, embora a maioria dos registros tenha sido perdido ao homem [Mateus 19:28].

<Estudo Gênesis 48
Estudo Gênesis 50>

Estudo Gênesis 48

Gênesis 48 relata que pouco tempo depois do juramento de José sobre seu sepultamento, Jacó adoece. Depois disso ele deposita uma benção maior sobre Efraim, o filho mais novo de José, do que sobre Manassés, o filho mais velho. Um estudo de Gênesis 48 mostra que mesmo não sendo a escolha do regime natural, Efraim era a escolha de Deus, e assim como seu avô, mesmo sendo o segundo filho, governaria sobre o primeiro.
Muitas das escolhas de Deus em nossas vidas não seguem a ordem natural dos fatos. Muitas vezes nos sentimos como se estivéssemos trilhando um caminho solitário, mas não devemos desanimar, pois o Senhor está conosco.
Um esboço de Gênesis 48 pode ser feito da seguinte forma:

    • 48.1 – 7: Palavras de Jacó a José
    • 48.8 – 14: Jacó abençoa os filhos de José
    • 48.15,16: Jacó abençoa José
    • 48.17 – 22: As instruções de Israel 


Palavras de Jacó a José (Gênesis 48:1-7)
Somente a fé é capaz de fazer um homem na sua velhice ver a mão de Deus nas bênçãos e nas provações pelas quais passou durante a sua vida. Podemos ver no discurso de Jacó uma atitude de profunda gratidão, uma atitude que já não aparece na vida da maioria dos idosos. Ele viu que o restante da sua missão na terra era testemunhar a respeito da fidelidade de Deus. Na verdade, a idade é uma grande bênção para tais pessoas. Um homem preste a morrer fala do que é verdadeiramente importante para ele. Aqui Jacó testemunha para José ao respeito da graça de Deus. Enquanto fazia uma retrospectiva, as ocasiões que ele mais destacou foram aquelas em que Deus o visitou [Gênesis 28:10-22]. Para Jacó, as promessas de Deus dada naquela ocasião, foram como a estrela do norte, a qual serviu para guiá-lo durante a sua vida. Estas mesmas promessas foram feitas a Abraão e Isaque. Todos estes homens viveram olhando para as promessas, embora elas nunca tivessem se cumprido durante a vida deles [Hebreus 11:13].
Todo estudante deveria fazer uma aplicação pessoal destas verdades. Você já encontrou com Deus? Os seus últimos dias serão marcados pelas lembranças das vezes em que Deus esteve especialmente próximo? As promessas de Deus são as suas possessões mais queridas?
De certa maneira, Jacó adotou os filhos de José. Cada um dos dois netos de Jacó se tornaria uma tribo em Israel, assim como os outros filhos de Jacó. Através deles José recebeu a porção dobrada da herança que normalmente era destinada ao filho mais velho. Rúben perdeu o direito por causa do seu pecado [I Crônicas 5:1]. Ele e Simeão foram mencionados em virtude do grande desgosto que causaram a Jacó. As palavras do versículo 6 foram proferidas para eliminar qualquer futuro mal entendido. Se José viesse a ter outros filhos, eles não se tornariam tribos separadas, mais teriam parte da tribo de Manassés e Efraim. José teria uma porção dobrada, mas nada além disso. Considere a fé que Jacó manifesta aqui nas promessas de Deus. Ele começou a dividir a terra muito antes que Israel a possuísse. A fé verdadeiramente é a vitória [I João 5:4; Hebreus 11:13]. Considere também o valor que a fé colocou nas promessas de Deus. José era um príncipe no Egito, mas a sua verdadeira herança era uma porção dobrada na terra de Canaã.
Talvez a presença de José tenha feito Jacó se lembrar da morte de Raquel. Ela foi o amor da vida de Jacó e a única mulher que ele tinha intenção de se casar. Se o plano de se casar somente com Raquel tivesse dado certo, José teria sido realmente o primogênito. Talvez ela tenha sido mencionada como uma justificativa para dar a José uma porção dobrada. De qualquer forma, a memória dela era ao mesmo tempo um fator de alegria e de tristeza para Jacó. Como todos os santos, ele sabia que um dia iria revê-la.

Jacó abençoa os filhos de José (Gênesis 48:8-14)
Note bem como Jacó se regozijava na bondade de Deus. No versículo 11, ele menciona que as bênçãos de Deus tinham superado as suas expectativas. Feliz é o homem cujo coração transborda de gratidão a Deus.
Todos os Cristãos deveriam almejar o bem estar dos seus filhos e descendentes. Devemos lembrar que a única e verdadeira bênção que nós podemos passar adiante é o nosso bom testemunho e a oração em favor deles. Estes jovens nasceram e cresceram tendo os tesouros do Egito colocados aos seus pés, mas tudo o que eles necessitavam era na verdade a bênção de Deus. Que cenário de fé! As riquezas do mundo não significavam nada comparado com as bênçãos concedidas. Ser herdeiro das promessas, abençoado por um velho profeta e se unir aos desprezados pastores, isto era tudo que realmente importava.
José ficou descontente porque Jacó colocou a sua mão direita sobre a cabeça de Efraim ao invés de Manassés, o primogênito. Jacó explicou que isto foi feito propositadamente desde que Efraim seria a maior tribo.
Quando Deus concede bênçãos, Suas mãos muitas vezes estão trocadas. Isto demonstra que a graça não segue a linha da natureza humana [João 1:13]. Deus não age segundo as nossas expectativas. Ele é soberano, a graça é opcional, e todas as bênçãos são distribuídas conforme a Sua vontade [Romanos 9:15-16]. Jacó entendeu muito bem estas coisas [Romanos 9:10-13].

Jacó abençoa José (Gênesis 48:15,16)
Quando Jacó se lembrou de como Deus o abençoou, ele podia creu que Deus abençoaria os seus descendentes. Que maravilhoso testemunho Jacó dá enquanto reflete sobre a sua vida. As provações, as decepções e os dezessete anos de lamentação foram relembrados. Enquanto ele pensava a respeito da fidelidade de Deus em tudo isso, o seu coração se elevou em adoração a Deus pelo Seu incrível propósito e providência.
Isto trouxe a ele esperança para o futuro. (Note que o anjo no versículo 16 é o “Anjo do Senhor”. Este anjo é o próprio Deus, manifestado aos homens no Velho Testamento).

As instruções de Israel (Gênesis 48:17-22)
Note que neste capítulo como em outras passagens de Gênesis, os nomes de Jacó e Israel são utilizados. As variações não são um acidente. Jacó é um homem fraco, um usurpador, um verme [Isaías 41:14]. Israel é um príncipe. Quando a fé de Jacó está fortalecida e ativa, nós o vemos sendo chamado de Israel. Isto não nos faz lembrar dos nossos altos e baixos e das duas naturezas do povo de Deus?
Israel estava morrendo, mas sua fé permanecia fortalecida. Ele sabia que Deus levaria a nação de volta para Canaã. Quando isto ocorresse, a terra que ele tinha comprado seria um presente especial para os descendentes de José [Gênesis 33:19; Josué 24:32]. O versículo 22, evidentemente se refere à luta pela posse da terra não mencionada nas Escrituras.
Realmente, foi precioso e abençoado o testemunho deste idoso santo. Com uma fé amadurecida, ele refletiu sobre as provas e alegrias pelas quais passou durante a sua vida. Essas reflexões de um homem próximo à morte eram o fruto da fé [Hebreus 11:21]. Pela fé ele manteve uma atitude de gratidão diante de uma vida de perigos e perplexidades.
Certamente os filhos de José sempre se lembraram desta ocasião. Os jovens necessitam de uma exposição diante de tais veteranos do Reino de Deus.

<Estudo Gênesis 47
Estudo Gênesis 49>

Estudo Gênesis 47

Em Gênesis 47, vemos que Faraó não se opôs ao pedido de José, em permitir que os israelitas habitassem em Gósen, pelo contrário ele ficou feliz com isso e deixou a terra do Egito a disposição para cuidar deles. Um estudo de Gênesis 47 nos mostra que o bom procedimento de José nesta nação. Desde que chegou, mesmo como escravo sempre foi dedicado ao trabalho e mesmo injustamente preso, não deixou de dar o seu melhor deu bons frutos.
Um esboço de Gênesis 47 pode ser feito da seguinte forma:

    • 47.1 – 12: Jacó é apresentado a Faraó
    • 47.13 – 26: A aflição causada pela fome
    • 47.27 – 31: Instruções de Jacó sobre seu sepultamento 


Jacó é apresentado a Faraó (Gênesis 47:1-12)
O Faraó é tratado com muito respeito, e nada é duvidado. Os filhos de Deus nunca deveriam provocar ou irritar desnecessariamente aqueles que exercem autoridade [Romanos 13:1-7]. Alguns pensam que o Evangelho lhes dá o direito de desprezarem as leis humanas. Nós deveríamos, no entanto, reconhecer que a autoridade de Deus está presente na legítima e justa forma de governo.
José trouxe cinco dos seus irmãos para uma reunião com o Faraó. Provavelmente, o restante estaria cuidando do rebanho. Estes cinco deveriam comunicar estas três coisas ao Faraó: Eles eram pastores. Baseado em Gênesis 46:34, esta era sem dúvida uma confissão difícil de fazer. Eles eram apenas peregrinos e não tinham intenções de serem naturalizados. José parece ter entendido a importância de Israel permanecer separado como nação. Nós podemos ver nisso tudo uma figura da separação que o Cristão deve ter do mundo [I Pedro 2:9, João 15:19]. Eles desejavam habitar em Gósen.
O Faraó gentilmente manteve a sua promessa, ainda que isto representasse muito pouco comparado com o benefício que José trouxe ao Egito. José não tinha interesse de que seus irmãos trabalhassem para o Faraó. Ele desejava que o povo de Israel ficasse separado dos Egípcios.
 Faraó era o homem mais poderoso na terra, entretanto, não podemos ler o versículo 7 em que Jacó abençoa Faraó sem ficarmos impressionados pelo fato dele ter encontrado um homem superior a ele. Isto é confirmado em Hebreus 7:7, onde a grandeza de Melquisedeque é demonstrada quando ele abençoa Abraão. É mencionado duas vezes que Jacó abençoou o Faraó. As pessoas deste mundo, pouco ou nada sabem sobre o que a eternidade revelará a respeito da verdadeira e relativa grandeza [Daniel 12:3; Provérbios 10:7]. Se esforce para ser grande aos olhos de Deus.
Note as palavras de Jacó para o Faraó: Ele abençoou o Faraó – Sem dúvida esta benção era uma invocação ao Deus Todo-Poderoso. Os santos deveriam tanto desejar quanto orar para que as bênçãos de Deus sejam derramadas sobre a vida de outras pessoas [I Timóteo 2:1-2]. Jacó explicou que os seus dias tinham sido poucos. A vida mais longa que alguém possa ter, é curta, quando comparada com a eternidade. Nenhum homem chegou a viver por mil anos, que aos olhos de Deus é apenas como um dia [II Pedro 3:8]. Jacó explicou que os seus dias tinham sido maus (cheio de tribulações e preocupações). A vida é difícil e cheia de tribulações [Jó 14:1]. Muitas vezes nós agimos como Jacó e aumentamos a nossa carga por não buscarmos a direção de Deus para as nossas vidas [Provérbios 3:5-6]. Tenha compaixão de qualquer pessoa que não tenha Deus para confortá-lo nesta vida [II Coríntios 4:17]. Não devemos pensar que Jacó estava expressando ingratidão ou tendo uma atitude negativa para com a vida. Por duas vezes ele usar a palavra peregrinação, ele dá a entender que a sua real e futura esperança é de ordem espiritual. Nós, como Cristãos, também reconhecemos que até que cheguemos ao céu, nos importa passar por muitas tribulações [Atos 14:22].
Os caminhos de Deus às vezes nos parecem estranho, embora Ele faça com que tudo coopere para o nosso bem [Romanos 8:28]. Aqui Jacó aprendeu que a provação sofrida pela perda de José foi um meio pelo qual eles foram salvos da fome. Que aprendamos a dar graças mesmo quando não compreendemos [I Tessalonicenses 5:18].

A aflição causada pela fome (Gênesis 47:13-26)
A passagem nos mostra que somente a visão profética de José é que foi capaz de salvar a nação do Egito e a terra de Canaã da fome. É só pensarmos um pouco e veremos que o plano utilizado para alimentar o povo não era cruel, como talvez possa parecer. E também não expressava nenhum ressentimento. Em uma situação onde todos dependem da ajuda do governo, a administração deve ser muito criteriosa. (A preferência dada ao sacerdote pagão estava além do controle de José).
Enquanto a fome fosse extinguida, José planejou um sistema para restaurar a agricultura. Este plano demonstra que José não tratava injustamente o povo. O governo fornecia a semente e cobrava vinte por cento da produção como imposto. Se você pensa que isto é injusto, tente calcular o quanto pagamos de taxas e impostos neste país. Lembre-se também que somente podemos possuir um pedaço de terra se pagarmos os devidos impostos por ela.

Instruções de Jacó sobre seu sepultamento (Gênesis 47:27-31)
Jacó acreditava que Canaã era a terra prometida. O seu coração sempre esteve lá. Embora não pudesse morrer em Canaã, ele desejava ser enterrado junto com os seus pais. Este pedido revela a sua fé nas promessas de Deus [Gênesis 15:13-16; Hebreus 11:21-22].
Sentindo que a morte estava próxima, Jacó chamou José e lhe pediu, sob juramento, que quando ele morresse, fosse sepultado em Canaã e não no Egito, e José jurou.
A visão espiritual do patriarca enxergava uma nação superior e mais preciosa que o Egito. Mesmo estando bem cuidado e vendo que sua família estava segura, Jacó tinha em mente a promessa de Deus, que era superior a qualquer bem passageiro desta terra.

<Estudo Gênesis 46
Estudo Gênesis 48>

Estudo Gênesis 46

Gênesis 46, Deus fala com Jacó e o encoraja a ir ao Egito, porque ali o Senhor faria de Israel, uma grande nação. Além disso, o Senhor prometeu que estaria com eles e o traria de volta a Canaã. O estudo de Gênesis 46 mostra que diante de mudanças bruscas e situações novas, é normal que temamos. O que não pode acontecer é ficar paralisado. Precisamos, mesmo não nos sentindo confortável seguir o plano de Deus e confiar mesmo quando nossos sentimentos tentam boicotar nossa fé.
O esboço de Gênesis 46 pode ser organizado da seguinte forma:
    • 46.1 – 4: Jacó oferece sacrifícios
    • 46.5 – 7: Jacó vai ao Egito
    • 46.8 – 27: Os filhos de Jacó que foram para o Egito
    • 46.28 – 34: O reencontro de Jacó e José

Jacó oferece sacrifícios (Gênesis 46:1-4)
Jacó se apressou em sua viajem para ver José. Ao chegar em Berseba, na fronteira de Canaã, ele parou para cultuar e adorar a Deus. Ao se aproximar da fronteira de Canaã Jacó começa a questionar a si mesmo. Ele estaria fazendo a coisa certa ao deixar a terra de Canaã? Ele sabia que dificilmente retornaria durante a sua vida. Ele deveria trocar a terra prometida pelo Egito? Abraão não pecou quando fez isto? Vamos aprender a buscar a orientação e liderança de Deus [Provérbios 3:6]. Chegando próximo a Berseba ele se lembrou que Abraão e Isaque tinham encontrado a Deus naquele lugar [Gênesis 21:33 e 26:26]. Assim como eles, ele também necessitava de liderança e segurança de Deus.
Como é maravilhoso ouvir de Deus e saber que estamos sob Sua vontade. Note as palavras de Deus nesta última visão patriarcal: “Não temas descer ao Egito” ! Como é maravilhoso ir para onde sabemos que Deus está nos guiando. “Eu te farei ali uma grande nação”. “Eu descerei contigo ao Egito”. “Eu certamente te farei tornar a subir”. É prometido a Jacó que ele estaria com José no momento de sua morte (por a mão sobre os seus olhos).

Jacó vai ao Egito (Gênesis 46:5-7)
Jacó podia prosseguir agora com o coração mais aliviado. Mas uma pergunta que se pode fazer é porque Israel foi levado ao Egito no começo. Por que não permaneceram em Canaã como nação e de lá se expandiram? Vejamos algumas razões: Por causa da segregação praticada no Egito, Israel poderia permanecer como um povo separado [vers. 31-34; Gênesis 43:31-34]. Em Canaã eles poderiam facilmente se casar com outros povos e perderem assim a sua identidade corporativa e espiritual. Após quatrocentos anos no Egito eles ainda eram uma nação distinta e separada. No Egito o povo de Israel teria a oportunidade de crescimento populacional. A influência de José para que eles recebessem a terra de Gósen foi de grande ajuda. Esta era uma área excelente para criação de animais. Se Israel tivesse se expandido grandemente em Canaã, provavelmente haveria guerras e eles não estariam preparados para isso. (Quando Israel deixou o Egito, a população tinha aumentado para mais ou menos dois milhões de almas). O êxodo de Israel do Egito foi uma grande oportunidade para mostrar o poder de Deus [Romanos 9:17; Salmo 78:43]. A glória de Deus e o bem do Seu povo são os dois principais propósitos encontrados em Suas obras. Israel não saiu do Egito sem nada, antes foi enriquecido pela fartura e prosperidade de Egito [Êxodo 12:35-36]. Muito do material para construção do tabernáculo veio exatamente daqui [Êxodo 25:1-9]. A longanimidade de Deus restringiu o julgamento sobre os Canaanitas até que a iniqüidade deles alcançou um certo nível [Gênesis 15:16]. Como os propósitos de Deus são complexos.

Os filhos de Jacó que foram para o Egito (Gênesis 46:8-27)
Este pequeno clã se tornou uma grande nação. Quão grandes coisas Deus pode fazer através de algo aparentemente insignificante.

O reencontro de Jacó e José (Gênesis 46-28-34)
E enviou a Judá adiante de si a José – Esta medida de precaução era obviamente apropriada para informar o rei da entrada de uma companhia tão grande dentro de seus territórios; além disso, era necessário receber instruções de José quanto ao local de seu futuro assentamento. José preparou seu carro – A diferença entre a carruagem e a carroça não estava apenas na construção mais leve e elegante da primeira, mas na que estava sendo puxada por cavalos e a outra por bois. Sendo um homem público no Egito, Joseph era obrigado a aparecer em todos os lugares em uma equipagem adequada à sua dignidade; e, portanto, não era devido ao orgulho ou ao desfile ostensivo que ele dirigia sua carruagem, enquanto a família de seu pai era acomodada apenas em vagões rudes e humildes. Se manifestou a ele – em uma atitude de reverência filial (compare Êx 22:17). A entrevista foi a mais afetiva – a felicidade do pai deleitado estava agora no auge; e a vida não possuindo mais encantamentos, ele pôde, no próprio espírito do idoso Simeão, partir em paz [Lc 2:25,29]. Que cena maravilhosa. Note, entretanto, a dignidade de Jacó. Ele permitiu que José viesse até ele. Ele sabia que ser um patriarca da nação Judaica era uma posição mais importante do que qualquer outra no Egito.
Subirei e farei saber a Faraó – Foi um tributo de respeito devido ao rei para informá-lo de sua chegada. E as instruções que ele lhes deu eram dignas de seu caráter tanto quanto um irmão afetuoso e um homem religioso. José estava mais interessado na pureza espiritual do que na grandeza material dos seus irmãos. Ele usou o fato dos Egípcios detestarem o ofício de pastor como um meio de manter sua família separada. Vamos aprender com isto a fazer sábias escolhas para as nossas famílias. O Egito sempre representa este mundo. Veja aqui o quadro do que o mundo pensa a respeito do Bom Pastor.
Mesmo passando a morar no Egito, os israelitas viviam separados dos egípcios. José não fez questão de dizer a Faraó que os israelitas eram pastores, uma classe que era muito desprezada pelo egípcios.
A intenção dele, era que mesmo com a generosidade de Faraó, eles pudessem viver em Gósen, uma terra fértil mas isolados dos egípcios.
Como isso deve nos inspirar!
Mesmo estando neste mundo, devemos tomar o cuidado de não nos tornar parceiros de sua obras ímpias e perversas. Ló cometeu este erro, pois com o passar do tempo, se aproximava cada vez mais de Sodoma e Gomorra, até que todos foram destruídos.

<Estudo Gênesis 45
Estudo Gênesis 47>

Estudo Gênesis 45

Gênesis 45 contém o clímax de uma das grandes histórias narradas pela Bíblia. A simplicidade do estilo de Moisés tem sido muitas vezes admirada.
Aqui podemos ver a providência de Deus profundamente enfatizada. Nós somos os atores na peça em que Deus é o diretor. A vida de José nos ensina como perdoar aos outros e viver sem frustração e amargura.
Um estudo de Gênesis 45 mostra que diante das palavras e atitude de Judá, José não pode mais conter-se e depois de ordenar que todos saíssem, se revelou aos seus irmãos.
O esboço de Gênesis 45 pode ser organizado da seguinte forma:

    • 45.1 – 4: José se revela aos seus irmãos
    • 45.5 – 8: José dá glória a Deus
    • 45.9 – 15: José envia seus irmãos a Canaã
    • 45.16 – 20: O convite de Faraó
    • 45.21 – 28: A alegria de Israel 


José se revela aos seus irmãos (Gênesis 45:1-4)
A intercessão de Judá revelou a José a mudança do coração dos seus irmãos. Até mesmo o seu próprio coração foi tocado. Ele pediu aos servos que se retirassem para que ele pudesse colocar de lado o protocolo de Estado e conversar em família com seus irmãos. É provável que ele também não queria que seus servos soubessem o que os seus irmãos fizeram no passado [I Pedro 4:8].
Os professores da Bíblia têm comparado esta revelação com a futura revelação de Cristo para a nação Judaica. Os irmãos de José devem ter sentido um grande remorso. Isto não é um símbolo da tristeza que o povo Judeu sentirá na volta de Cristo [Zacarias 12:10]?

José dá glória a Deus (Gênesis 45:5-8)
A soberania de Deus assegura que os caminhos humanos são tão ordenados que o Seu povo é preservado e Seus propósitos realizados. Deus enxerga o futuro e tem tudo preparado de antemão para suprir as nossas necessidades. Mesmo os homens maus, que peca livremente, acabam sendo instrumentos da vontade divina [Salmo 105:16-24; Salmo 76:10; Efésios 1:11]. José não estava de forma nenhuma negando a culpa dos seus irmãos [Gênesis 50:20]. No entanto, quando viu evidências do arrependimento deles, ele se apressou em confortá-los e lembrá-los que mesmo diante da rebelião que eles cometeram, Deus estava trabalhando para o bem deles. Os pecadores arrependidos algumas vezes estão em perigo de serem tomados de “demasiada tristeza” e necessitam ser apropriadamente confortados [II Coríntios 2:7]. Note que José se recusou a levar o crédito pela preservação de Israel. Ele sabia que era apenas um instrumento nas mãos de Deus. O homem deveria sempre atribuir a glória a Deus [Romanos 11:33-36]. O espírito de perdão de José para com os seus irmãos nos ensina uma grande lição: Aqueles que acreditam no plano predestinado de Deus são ajudados a perdoar as más obras que os homens lhes fazem. Quando vemos a mão de Deus trabalhando, mesmo através das más ações dos homens, ficamos sem amargura pelo nosso tratamento [Jó 1:21]. Há outras maneiras de exercer o perdão [Efésios 4:32], mas esta definitivamente faz parte. Note como isto funcionou na vida de Davi [II Samuel 16:5-13].

José envia seus irmãos a Canaã (Gênesis 45:9-15)
José era um homem de atitudes espirituais. E podemos ver isso das seguintes maneiras: José estava consciente da obra e do plano gracioso de Deus para a vida dele. O Egito era um lugar onde Israel poderia ser preservado como nação enquanto crescia e era salvo da fome. Os costumes Egípcios asseguravam que Israel não seria absorvido pela cultura deles [Gênesis 43:32]. José ficou muito alegre em ver a sabedoria de Deus. Alguns crentes parecem enxergar muito pouco da obra maravilhosa de Deus em suas vidas. Note novamente o perdão pleno que José concede aos seus irmãos. Isto requer uma verdadeira espiritualidade.

O convite de Faraó (Gênesis 45:16-20)
Este Faraó é bem diferente daquele com o qual Moisés teria que tratar. Ele era realmente um homem magnânimo e agradecido. Os governantes normalmente se esquecem de antigas bondades. Faraó, no entanto, se lembrou que a salvação do Egito era o resultado das bênçãos de Deus através de José. Por esta razão ele prometeu cuidar de forma generosa da família de José. As maiores riquezas da terra estariam a disposição deles. (Não podemos deixar de comentar e refletir que o coração do Faraó estava nas mãos de Deus. Este aqui mostra compaixão, o outro, que viria mais tarde, mostraria crueldade. Entretanto, ambos foram usados para que Deus abençoasse Israel e glorificasse o Seu nome – Romanos 9:17).

A alegria de Israel (Gênesis 45:21-28)
Para a viagem de volta para casa, eles receberam tudo o que necessitavam e um pouco mais. Acreditamos que em parte isto foi feito para convencer Jacó que a história que seus filhos contariam era verídica. Da mesma maneira, durante a nossa jornada para encontrarmos com o Senhor Jesus, Deus providencia tudo necessário para o nosso sustento. Deus até mesmo nos dá alguns presentes que asseguram as nossas futuras bênçãos [Efésios 1:13-14].
Não há duvidas de que o conselho de José no versículo 24 era necessário. Talvez eles temessem expor os seus antigos erros e começassem a brigar entre si, tentando jogar a culpa um no outro diante de seu pai antes que ele descobrisse os fatos acerca de José. Que cena magnífica. O velho Jacó é incapaz de crer de tanta alegria, e ele somente é convencido quando ouve toda a história e vê os carros enviados do Egito. Ele então sente que quando visse José a sua vida estaria completa.
Graciosamente, não vemos aqui nenhum relato de Jacó repreendendo os seu filhos por venderem José. Eles tinham se arrependido e se reconciliado com ele. Que necessidade havia de relembrar seus antigos pecados? Vamos aprender com Jacó a deixar os esqueletos no armário. Note que nem mesmo José mencionava os pecados deles. Os Egípcios nunca souberam do crime que eles cometeram [I Pedro 4:8].
Note como Jacó é mencionado por este nome no versículo 25, e por Israel no versículo 28. No momento em que sua fé é renovada, ele percebe que é verdadeiramente abençoado por ser um “príncipe” com Deus. Nós também somos “Jacós” por natureza, mas através da graça reinaremos com Cristo.

Devemos estar atentos à vida de José, principalmente no que se refere ao tratamento das pessoas conosco. Há muitas situações que fazem parte do plano de Deus para nossas vidas, mesmo as mais repugnantes são utilizadas por Ele para propósitos maiores e fantásticos. Entendendo isso, podemos perdoar, ser livres e abertos as possibilidades do Senhor para agir.

<Estudo Gênesis 44
Estudo Gênesis 46>

Estudo Gênesis 44

Em Gênesis 44, vemos José dando ordens aos seus servos para que abasteçam de maneira generosa as bolsas de carga de seus irmãos, e por fim, que colocassem sua taça de prata na bagagem de Benjamim. José pretendia testar novamente seus irmãos para saber se eles realmente haviam mudado.
Em Gênesis 43, José testou seus irmãos para ver se eles ainda eram controlados pela inveja. Neste capítulo, o teste é mais rigoroso ainda. Eles realmente amavam Benjamim? Eles estavam dispostos a saírem livres e deixá-lo para ser escravo?
O esboço de Gênesis 44 pode ser organizado da seguinte forma:

  • 44.1 – 5: A trama de José
  • 44.6 – 12: A bagagem de Benjamim
  • 44.13 – 17: José humilha seus irmãos
  • 44.18 – 34: A súplica de Judá

A trama de José (Gênesis 44:1-5)
Não era vingança, mas o desejo de conhecer realmente seus irmãos, o verdadeiro motivo por detrás dos planos de José. Ele encenou seu papel corretamente e demonstrou grande força de caráter e autocontrole. Ele teria sido imprudente de se tivesse se revelado aos seus irmãos antes de conhecer o caráter deles.
Várias vezes nas Escrituras somos alertados a não colocarmos a nossa confiança em pessoas que desconhecemos o caráter [Provérbios 11:15]. Aqueles são chamados ao ministério devem ser especialmente provados [I Timóteo 3:6]. Somente as provas podem expor verdadeiramente os corações dos homens [Deuteronômio 8:2].
O sentido do versículo 5 é de alguma maneira discutível. Talvez a palavra “adivinha” fosse usada porque os Egípcios não eram familiarizados com o conceito da verdadeira profecia. Por outro lado, José pode ter ido muito longe ao fingir ser um adivinhador pagão.

A bagagem de Benjamim (Gênesis 44:6-12)
Que desespero os irmãos de José devem ter sentido. Eles sabiam que eram inocentes, mas pareciam sentir que estas provas de alguma forma eram o julgamento de Deus sobre seus antigos pecados. Sem dúvida, José colocou o dinheiro nos sacos para que eles soubessem que Benjamim era inocente. Eles veriam que alguém mais tinha manuseado as sacolas.

José humilha seus irmãos (Gênesis 44:13-17)
Os irmãos foram convencidos de que estas provas eram uma justa retribuição, mesmo sabendo que eram inocentes quanto ao que ocorreu. Eles não culparam Benjamim, mas parecem ter visto a mão de Deus em tudo isso. Paciência sob julgamento é uma obra do verdadeiro arrependimento [Salmo 51:3-4].
No versículo 17 José força a situação e os coloca em um verdadeiro teste. Eles ficariam ao lado de Benjamim arriscando o próprio futuro deles.

A suplica de Judá (Gênesis 44:18-34)
Nenhum advogado faria melhor defesa do que Judá. Martinho Lutero desejava orar para Deus como Judá suplicou diante de José. Para a eloquência de homem e de discursos empolgantes, este discurso é inigualável. Até mesmo o pensamento de causar alguma dor ao seu pai era intolerável para Judá. Ele verdadeiramente era um homem mudado. Ele realmente tornou-se um líder entre os seus irmãos [Gênesis 49:8-12].
Vemos nesta história, que a participação de Judá é uma figura da obra redentora de nosso Senhor Jesus Cristo. Note algumas das grandes verdades do Evangelho que podem ser vistas aqui quando vemos Judá como uma figura de Cristo: Tanto Judá quanto o Senhor Jesus pertenceram a tribo de Judá [Gênesis 49:8-10; Apocalipse 5:5]. É claro que Judá foi o pai da tribo. Judá se tornou uma garantia para o seu irmão mais novo [Gênesis 43:8-9]. O Senhor Jesus se tornou o fiador dos seus irmãos mais novos [Hebreus 7:22 e 2:11; Romanos 8:29]. Judá se tornou uma garantia para o seu pai. Ele aceitou ser responsável por Benjamim e respondeu ao seu pai pela segurança dele. Jesus Cristo se tornou a nossa garantia para o Pai. Ele se responsabilizou por Seu povo. Isto é ilustrado na passagem a respeito do Bom Pastor [João 10:11-14, 28-29]. Judá se tornou uma garantia para Benjamim antes mesmo dele estar envolvido em confusão ou ir ao Egito (que é uma figura do mundo). O Salvador se tornou a nossa garantia antes mesmo que nós nascêssemos neste mundo ou pecássemos [Efésios 1:4; I Pedro 1:18-20]. Judá desceu com seu irmão mais novo para o Egito. Foi lá que Benjamim se viu envolvido em problemas. O Senhor Jesus acompanhou Seu povo para este mundo onde eles necessitariam de redenção [Hebreus 2:11-15]. Judá prontamente assumiu a culpa pelos erros dos seus irmãos [vers. 33]. Jesus Cristo pagou pelos nossos pecados [Isaías 53:6]. Judá intercedeu por seus irmãos baseado na sua própria garantia [vers. 32]. O Senhor Jesus intercede pelo Seu povo baseado na Sua fiança por eles [João 17:6 e 9; Romanos 5:10; 8:33-34]. Judá foi bem sucedido em seus esforços para salvar Benjamim. Jesus Cristo se tornou a nossa garantia, morreu em nosso lugar, e agora vive para interceder por nós. Ele é absolutamente bem sucedido na obra de salvar o Seu povo. Todas as Suas ovelhas serão reunidas em Seu aprisco [João 10:27-29] e todos os filhos se encontrarão no Seu lar [Hebreus 2:10 e 13].

O tempo é uma grande ferramenta nas mãos de Deus. Se nos submetermos a Soberania do Senhor, Ele nos molda dia após dia, até que tenhamos um caráter aprovado.

<Estudo Gênesis 43
Estudo Gênesis 45>

Estudo Gênesis 43

Em Gênesis 43, vemos que a caravana retorna a Canaã e com muita resistência por parte de Israel, Benjamim viaja com eles ao Egito. Judá assumiu a responsabilidade pelo menino e colocou sua própria vida em jogo.
Gênesis 43 também relata a emoção de José ao reencontrar seu irmão filho de Raquel sua mãe e lhe oferece privilégios. O esboço de Gênesis 43 pode ser organizado da seguinte forma:
  • 43.1 – 10: Jacó se opõe a partida de Benjamim 
  • 43.11 – 14: De volta ao Egito
  • 43.15 – 25: José recebe seus irmãos
  • 43.26 – 30: O choro de José
  • 43.31 – 34: José come com seus irmãos

Jacó se opõe a partida de Benjamim (Gênesis 43:1-10)
Gênesis 43 começa  com a seguinte situação: Simeão está preso no Egito e a família de Jacó novamente está sem comida. A fome força Jacó a confrontar a situação que ele estava tentando esquecer. Durante este período, podemos ver que Deus não apenas está preparando a nação escolhida para entrar no Egito, como também está trabalhando em suas vidas espirituais.
Jacó, devido a sua tristeza, parecia totalmente irracional. Ele sabia que eles necessitavam de comida, mas não podia suportar a ideia de se separar de Benjamim. Parece até que ele havia se esquecido de Simeão. Note, entretanto, um sinal de encorajamento. Jacó é chamado pelo seu novo nome, “Israel”. Isto não era uma indicação de Deus mais uma vez estava se preparando para manifestar Sua graça a Jacó? Muitas vezes, quando a vida parece obscura, o brilho dos graciosos propósitos de Deus está prestes a surgir. Judá parece ter crescido em caráter e confiança. Jacó confia a ele a responsabilidade de levar Benjamim para o Egito. Jacó se recusou a deixar Rúben, o mais velho, cuidar disso[Gênesis 42:37-38].

De volta ao Egito (Gênesis 43:11-14)
Jacó tomou todas as devidas e possíveis precauções para que a viagem tivesse sucesso. Um valioso presente, ainda disponível em Canaã, foi enviado junto com eles. A confiança em Deus não nos impede de usar de sabedoria e do nosso melhor esforço [Provérbios 18:16]. Jacó insistiu para que eles fossem honestos em tudo que fizessem. Talvez o dinheiro tivesse retornado por algum engano. Nós devemos manter a “Regra de Ouro” mesmo quando outros cometem algum engano. Jacó demonstra evidências de seu crescimento espiritual pessoal e sua submissão à vontade de Deus. Ele sabia que somente Deus poderia lhes dar uma viagem segura. Aqui ele permite que não somente Benjamim, mas todos seus filhos partissem imediatamente. Sua última declaração, no versículo 14, demonstra o desejo de deixá-los nas mãos de Deus. Ele está completamente entregue a vontade de Deus [Jó 1:21].

José recebe seus irmãos (Gênesis 43:15-25)
José estava ansioso para ver Benjamim enquanto esperava o retorno dos seus irmãos para o Egito. A verdadeira razão para que José exigisse o retorno com Benjamim era testar o caráter deles. Será que eles tinham assassinado ou vendido Benjamim? Eles ainda eram ressentidos e invejosos? Somente tendo conhecimento disso é que José saberia como agir.
Quando eles foram trazidos ao palácio de José, ficaram muito atemorizados. Eles temiam serem acusados de ter roubado o dinheiro que trouxeram para comprar os grãos da primeira vez. Antes que eles entrassem na presença de José, tentaram explicar o assunto ao mordomo dele. Ele lhes tranqüilizou e até trouxe Simeão para vê-los. Eles foram tratados muito bem enquanto se preparavam para jantar com José.
Note: O versículo 23 dá a entender que José havia instruído seus servos sobre o caminho de Deus. As palavras do mordomo, no versículo 23, não devem ser vistas como não sendo verdadeiras, antes como uma declaração de que tudo tinha ocorrido segundo a providência de Deus.

O choro de José (Gênesis 43:26-30)
Nesta cena vemos que o amor de José por sua família não havia esfriado. Ele perguntou a respeito do seu pai e, ao ver o seu irmão mais novo, Benjamim, se retirou para chorar. Como já pudemos notar, José não estava brincando de alguma maneira com os seus irmãos, e nem mesmo queria desnecessariamente impor medo neles. O seu amor era mesclado com sabedoria. Abraçar seus irmãos sem ter conhecimento do caráter deles seria um convite a futuros problemas.

José come com seus irmãos (Gênesis 43:31-34)
Os irmãos de José se sentaram a mesa dispostos segundo as suas idades. Eles ficaram maravilhados, não sabendo como essa informação foi passada. O propósito de José, sem dúvida, era fazer mais mistério. Eles parecem ter percebido que Deus estava trabalhando naquela situação.
Naquelas culturas era comum para o anfitrião dar certas porções especiais de comida a alguns de seus hóspedes. Isto era feito para demonstrar honra. Quanto mais comida fosse oferecida ao hóspede, mais honra lhe estava sendo demonstrada. Quando grandes porções eram oferecidas o hóspede não era obrigado a consumir tudo. Neste jantar, foi servido a Benjamim, o mais novo, cinco vezes a mais a quantidade oferecida aos seus irmãos mais velhos. José estava testando seus irmãos para ver se eles ainda tinham as mesmas atitudes de ciúme e inveja. Eles ficariam ressentidos com Benjamim como ficaram com José por causa da túnica de várias cores? José deve ter vigiado e prestado atenção para cada uma de suas atitudes. Que teste perspicaz foi este da parte de José. Os filhos mais velhos de Jacó passaram no teste. José deve ter se alegrado muito com as mudanças espirituais que viu neles. Eles tinham sido limpos do mal da inveja. Entretanto, era necessário mais um teste. Eles permaneceriam ao lado de Benjamim durante uma provação? Eles se preocupariam mais com ele e com os sentimentos do pai do que com o bem estar próprio?

Assim como fez a Israel, o Senhor Deus estava restaurando a história de José com seu passado. Israel precisou voltar e se reconciliar com Esaú e José precisou ser colocado diante de seus irmãos novamente e perdoá-los, para poder seguir em paz.
Temos um Deus maravilhoso e bom, que se importa em como vai a nossa alma. Muitas pessoas desprezam nossas emoções, a maneira como nos sentimos, mas o Senhor não faz isso.
Ele está atento aos detalhes da alma sofrida de José e procura restaurá-la, e o mesmo Ele procura fazer conosco.

<Estudo Gênesis 42
Estudo Gênesis 44>

Estudo Gênesis 42

Gênesis 42 fala sobre como os irmãos de José foram ao Egito em busca de alimento. O estudo bíblico de Gênesis 42 ainda revela o modo sábio com que José agiu para reunir novamente sua família.
O esboço de Gênesis 42 pode ser organizado assim:
• Os irmãos de José descem ao Egito (Gênesis 42:1-6).
• José reconhece seus irmãos (Gênesis 42:7-20).
• A culpa dos irmãos de José (Gênesis 42:21-24).
• Os irmãos de José voltam do Egito (Gênesis 42:25-38).

Os irmãos de José descem ao Egito (Gênesis 42:1-6)
Conforme Deus havia avisado através de José na interpretação do sonho de Faraó, uma grande crise se espalhou pela terra (Gênesis 41). A fome chegou à terra de Canaã e Jacó resolveu enviar seus filhos ao Egito em busca de alimento. Ele tinha tomado conhecimento que havia mantimento no Egito (Gênesis 42:1). Em outras ocasiões a família da aliança já havia buscado – ou pelo menos tentado buscar – melhores condições de vida no Egito em tempos de crise (cf. Gênesis 12:10; 26:1-2).
Jacó ordenou que seus filhos comprassem cereais dos egípcios para sua família não morrer de fome em Canaã. Mas Jacó enviou ao Egito somente seus filhos mais velhos. Ele tinha medo que ao enviar ao Egito seu caçula Benjamim, alguma desgraça pudesse lhe acontecer (Gênesis 42:4). Isso significa que Benjamim havia ocupado o lugar de José como o filho preferido de seu pai. Aqui também vale lembrar que Benjamim era o único irmão de José por parte de mãe.
Então os dez outros irmãos de José partiram para o Egito (Gênesis 42:5). Chegando naquela terra, eles se prostraram perante José, o governador do Egito. Era ele quem vendia alimentos a todos os povos que desciam ao Egito em busca de sobrevivência na crise (Gênesis 42:6).
Os irmãos de José se prostraram diante dele com o objetivo de preservar suas vidas. Eles não reconheceram José. Além disso, sem saber eles cumpriram os sonhos que José tivera ainda muito jovem e que apontavam para o governo de José sobre a casa de seu pai (Gênesis 37:5).

José reconhece seus irmãos (Gênesis 42:7-20)
Embora os irmãos de José não tenham lhe reconhecido, ele os reconheceu. Mas José não deixou que eles soubessem quem ele era (Gênesis 42:7). O fato de José não ser reconhecido por seus irmãos foi algo completamente plausível. Eles haviam visto José pela última vez quando ele tinha apenas dezessete anos. Mas agora José já era um homem formado de quase quarenta anos. Além disso, José se vestia como um alto oficial do Egito e se comunicava com o uso de um intérprete (Gênesis 42:23).
Ao ver seus irmãos ali, José também se lembrou dos sonhos que tivera quando jovem. Então José começou a testá-los. José primeiro os acusou de serem espiões que tinham ido até o Egito para conhecer os pontos fracos da terra (Gênesis 42:9).
Os irmãos de José trataram de negar aquelas acusações e se empenharam em afirmar que eles eram homens honestos, membros de uma unidade familiar (Gênesis 42:11). José, porém, insistiu em sua acusação enquanto seus irmãos tentavam se defender fornecendo mais detalhes sobre sua família na intenção de conseguirem alguma credibilidade (Gênesis 42:13). Foi nesse ponto que os filhos de Jacó falaram que seu irmão mais novo estava protegido com seu pai.
Então José jurou pela vida de Faraó que eles não sairiam dali sem que antes seu irmão mais novo fosse levado ao Egito. Daí José propôs que um deles fosse a Canaã buscar o irmão mais novo e provar a veracidade de suas palavras. Naquela ocasião José os prendeu por três dias (Gênesis 42:17). Jurar pela vida de um monarca ou pelo nome de uma divindade era uma prática comum na antiguidade para atestar a confiabilidade do que estava sendo dito por alguém.
Ao terceiro dia José fez a eles uma proposta final. Um dos irmãos ficaria preso no Egito, enquanto os demais iriam buscar Benjamim e provar que suas palavras eram verdadeiras e não dignas de morte (Gênesis 42:18-20). Inclusive, José assegurou a seus irmãos que eles podiam confiar em sua proposta, pois ele era um homem temente a Deus.

A culpa dos irmãos de José (Gênesis 42:21-24)
Naquele contexto os irmãos de José se sentiram culpados. Eles conectaram aquela situação que estavam enfrentando a uma possível punição da justiça de Deus pelo que eles tinham feito com José, e admitiram ser culpados (Gênesis 42:21). Rúben até falou aos demais que ele havia lhes alertado para não pecarem contra José, mas na época ninguém lhe escutou (Gênesis 42:22).
José presenciou a discussão e escutou todas aquelas palavras. Mas seus irmãos não sabiam que ele podia lhes entender. Diante da confissão de culpa de seus irmãos, José se retirou de diante deles e chorou. Obviamente José havia percebido que a atitude de seus irmãos tinha mudado e que agora era possível uma reconciliação entre eles (Gênesis 42:24). Depois, José retornou diante deles e tomou Simeão como prisioneiro.

Os irmãos de José voltam do Egito (Gênesis 42:25-38)
Na sequência, José ordenou aos seus servos que abastecessem de cereal os seus irmãos e que fosse restituído secretamente dentro dos sacos de cereal o valor pago por eles. Assim, os irmãos de José partiram carregados de cereal e com comida para suprir-lhes durante o caminho (Gênesis 42:25).
Quando um deles abriu um dos sacos de cereal para alimentar o seu jumento na estalagem, descobriu o dinheiro que estava escondido entre o cereal. Então os irmãos de José perceberam que o dinheiro pago pelo cereal havia sido devolvido. A Bíblia diz que eles ficaram atemorizados e com seus corações desfalecidos. Eles reconheceram que Deus estava trabalhando por trás de toda aquela situação estranha, embora eles não entendessem como (Gênesis 42:28).
Chegando a Canaã, os irmãos de José contaram a Jacó tudo o que havia lhes acontecido no Egito. Eles explicaram a Jacó que Simeão havia ficado preso e que precisavam levar Benjamim ao Egito para provarem que eram homens honestos e poderem negociar no Egito. Em Canaã eles também descobriram que o restante do dinheiro pago pelo cereal também estava escondido nos outros sacos (Gênesis 42:29-35).
Jacó, porém, num primeiro momento não aceitou aquela situação. Ele relembrou que já havia perdido José, lamentou que Simeão estava preso em outra terra, e temeu que estivesse perto de perder Benjamim (Gênesis 42:36).
Gênesis 42 termina registrando a proposta tola de Rúben a Jacó. Rúben propôs que Jacó matasse seus dois filhos – netos de Jacó – caso ele não trouxesse Benjamim de volta do Egito. Contudo, Jacó continuou se mostrando irredutível com toda aquela situação.

<Estudo Gênesis 41
Estudo Gênesis 43>

Estudo Gênesis 41

Gênesis 41 é o capítulo da Bíblia que fala sobre como José interpretou os sonhos de Faraó. O estudo bíblico de Gênesis 41 ainda registra a operação maravilhosa da providência divina ao tirar José de uma prisão para colocá-lo como governador do Egito.
Gênesis 41 mostra que Deus concedeu a José grande sabedoria. De forma sobrenatural ele interpretou os sonhos de Faraó. Depois ele demonstrou habilidades políticas e econômicas incríveis para administrar de forma criteriosa todo o Egito.
O esboço de Gênesis 41 pode ser organizado da seguinte forma:
• Os sonhos de Faraó (Gênesis 41:1-8).
• Faraó manda chamar José na prisão (Gênesis 41:9-24).
• José dá a interpretação dos sonhos de Faraó (Gênesis 41:25-36).
• José como governador do Egito (Gênesis 41:37-46).
• Os sete anos de fartura e os sete anos de fome (Gênesis 41:47-57).

Os sonhos de Faraó (Gênesis 41:1-8)
Os acontecimentos narrados em Gênesis 41 aconteceram dois anos após José ter interpretado os sonhos dos oficiais de Faraó (Gênesis 40). O texto bíblico diz que numa mesma noite Faraó teve dois sonhos.
Os sonhos sempre eram tidos em grande consideração pelos povos do antigo Oriente Próximo que acreditam receber por meio deles presságios sobre o futuro. Além disso, os reis geralmente eram vistos por esses povos como representantes dos deuses. Então quando um rei tinha um sonho, para os povos antigos isso tinha um significado muito importante.
No primeiro sonho, Faraó se viu de pé diante do rio Nilo. O rio Nilo era basicamente a fonte da fertilidade do Egito que se desenvolveu ao longo de suas margens. Do rio Nilo subiram sete vacas gordas vistosas. Mas logo em seguida subiram também outras sete vacas feias e magras. As vacas magras pararam junto das vacas gordas na margem do rio. Então as vacas magras começaram a comer as vacas gordas (Gênesis 41:1-4).
Faraó acordou desse sonho, mas logo voltou a dormir e a sonhar outra vez. No segundo sonho, Faraó viu crescer no mesmo pé sete espigas graúdas e boas. Depois também brotaram outras sete espigas mirradas e ressequidas pelo vento. Então as sete espigas mirradas engoliram as sete espigas graúdas (Gênesis 41:5-7).
Os dois sonhos deixaram Faraó perturbado e pela manhã ele mandou chamar todos os magos e sábios do Egito. Na antiguidade era comum haver nas cortes feiticeiros e interpretadores de sonhos que serviam como conselheiros reais. Mas ao contar-lhes os sonhos, ninguém foi capaz de interpretá-los (Gênesis 41:8).

Faraó manda chamar José na prisão (Gênesis 41:9-24)
Foi no contexto em que ninguém conseguia interpretar os sonhos de Faraó, que o chefe dos copeiros se lembrou de José que havia interpretado seu sonho na prisão. Ele contou a Faraó que durante o tempo em que ele esteve preso juntamente com o chefe dos padeiros, ambos sonharam e tiveram seus sonhos interpretados por um jovem hebreu (Gênesis 41:9-13).
Então Faraó mandou chamar José que ainda estava aprisionado. A Bíblia diz que rapidamente ele se barbeou e se arrumou para se apresentar a Faraó. Aqui é interessante saber que a maioria dos povos do antigo Oriente Próximo – incluindo os hebreus – viam a barba como um tipo de sinal de honra. Então era comum que todos os homens tivessem barba. Mas os costumes egípcios eram outros, e os homens normalmente andavam bem barbeados. Por esse motivo José teve de se barbear.
Já na corte egípcia, José escutou de Faraó que ninguém havia sido capaz de interpretar seus sonhos, mas que tinha ouvido falar que ele era capaz de interpretá-los (Gênesis 41:15).
Ao ouvir essas palavras, José respondeu a Faraó enfatizando a soberania divina. José disse a Faraó que a interpretação de um sonho não dependia dele, mas de Deus. Deus é quem haveria de dar uma resposta a Faraó (Gênesis 41:16). Isso significa que tanto o sonho quanto sua interpretação eram de Deus. Então Faraó contou a José seus dois sonhos (Gênesis 41:17-24).

A interpretação dos sonhos de Faraó (Gênesis 41:25-36)
José disse a Faraó que os dois sonhos na verdade eram um único sonho através do qual Deus revelou a Faraó o que Ele haveria de fazer (Gênesis 41:25). Aqui é importante enfatizar que José não agiu como um mago com o objetivo de interpretar o sonho por meio de adivinhação. Ele deu a Faraó interpretação que veio de Deus.
De acordo com a interpretação do sonho dada por Deus a José, as sete vacas gordas e as sete espigas boas significavam sete anos de muita fartura que haveria de vir sobre toda a terra do Egito. Já as sete vacas magras e as sete espigas mirradas significavam sete anos de fome que seguiriam os sete anos de fartura (Gênesis 41:26-29).
José disse a Faraó que os sete anos de fome seriam tão severos que arruinariam a terra e fariam com que o tempo de fartura fosse esquecido. Ele ainda disse a Faraó havia sonhado duas vezes porque toda aquela questão já havia sido decidida por Deus e que tudo seria realizado rapidamente (Gênesis 41:30-32).
José também instruiu Faraó acerca do que haveria de ser feito. Ele disse que Faraó tinha que procurar um homem sábio e criterioso para colocá-lo como administrador de toda a terra do Egito. Supervisores também tinham que ser estabelecidos para recolher um quinto da colheita de todo o Egito durante os anos de fartura. Todo esse mantimento tinha de ser estocado para servir como reserva para os sete anos de fome. Dessa forma, a terra não seria arrasada (Gênesis 41:33-36).

José como governador do Egito (Gênesis 41:37-46)
Gênesis 41 diz que Faraó gostou do plano informado por José. Faraó ainda julgou que ele e seus conselheiros não poderiam encontrar alguém tão qualificado quanto José, sobre quem estava o Espírito divino (Gênesis 41:38). Isso quer dizer que Faraó reconheceu que sobre José estava o poder de Deus.
Então Faraó decidiu que uma vez que Deus havia revelado a José todas aquelas coisas, de fato não haveria ninguém mais sábio e criterioso que ele para conduzir aquela situação. Obviamente isso foi uma derrota para os sábios egípcios. Faraó colocou José como o segundo homem mais poderoso do Egito. José teria o comando de tudo e todo o povo egípcio estaria sob suas ordens. Faraó também colocou em José o seu próprio anel de selar e deu a ele vestes e acessórios reais. Além disso, José foi colocado sob a segunda carruagem real e apresentado a todos os egípcios como o homem que tinha o comando de todo o reino (Gênesis 41:39-44).
Faraó também deu a José o nome de Zafenate-Panéia e ainda lhe entregou como esposa Azenate, cujo nome significa “pertencente à Nate” – uma deusa egípcia. Azenate era filha de Potífera, sacerdote de Om – a cidade que era o centro do culto a Ra, o deus do sol (Gênesis 41:45).
Os estudiosos dizem que o nome Zafenate-Panéia significa em termos egípcios possivelmente “Deus fala e Ele vive”. Os comentaristas ainda argumentam que provavelmente esse era um nome pagão. Mas isso não significa que José aceitou a religião pagã. A situação de José foi muito semelhante à situação do profeta Daniel na Babilônia (Daniel 1:7).
José tinha trinta anos de idade quando se tornou governador do Egito. Isso quer dizer que havia se passado cerca de treze anos desde que José havia chegado como escravo ao Egito (cf. Gênesis 37). No cumprimento de suas atribuições, José percorreu todo o Egito (Gênesis 41:46).

Os sete anos de fartura e os sete anos de fome (Gênesis 41:47-57)
A Bíblia diz que durante os sete anos de fartura, a terra teve grande produção de mantimento. José reuniu todo o excedente da produção durante os sete anos e o armazenou estrategicamente nas cidades egípcias. Como resultado, José estocou uma quantidade incontável de trigo (Gênesis 41:47-49).
Antes dos anos de fome, José foi pai de dois filhos com Azenate. José deu o nome de Manassés ao primeiro filho, dizendo: “Deus me fez esquecer todo o meu sofrimento e toda a casa de meu pai” (Gênesis 41:51). Manassés significa literalmente “tornar esquecido”. Já ao segundo filho José chamou Efraim, dizendo: “Deus me fez prosperar na terra onde tenho sofrido” (Gênesis 41:52). Efraim significa literalmente “fertilidade”.
Quando os sete anos de fartura chegaram ao fim, vieram os sete anos de fome – conforme havia sido anunciado em sonho. Todas as terras foram assoladas pela fome, mas havia alimento em todo o Egito. Quando o tempo de crise apertou, Faraó disse ao povo para fazer tudo conforme José lhes ordenasse (Gênesis 41:55).
Então José mandou abrir os locais de armazenamento e vendeu trigo aos egípcios (Gênesis 41:56). Gênesis 41 ainda termina informando que ia gente de toda a parte ao Egito comprar alimento (Gênesis 41:57).
Gênesis 41 mostra como José foi usado por Deus para mediar a salvação da crise para os povos daquelas terras. Nesse sentido, como mediador da bênção divina, muitos intérpretes enxergam José como alguém que prefigurou a obra de Cristo. Além disso, outro aspecto da vida de José que nos faz se lembrar do Senhor Jesus Cristo é a sua ascensão de escravo a governador. José foi levantado da prisão para governar o Egito; enquanto que Cristo foi levantado dos mortos para governar o mundo (Mateus 28:18).

<Estudo Gênesis 40
Estudo Gênesis 42>

Estudo Gênesis 40

Gênesis 40 fala sobre o tempo em que José esteve na prisão no Egito. O estudo bíblico de Gênesis 40 registra como José interpretou os sonhos de dois oficiais de Faraó. Os eventos narrados nesse capítulo são importantes para a compreensão da ascensão posterior de José no Egito.
O esboço de Gênesis 40 pode ser organizado em três partes:
• A prisão dos dois oficiais de Faraó (Gênesis 40:1-8).
• O sonho do copeiro-chefe (Gênesis 40:9-15).
• O sonho do padeiro-chefe (Gênesis 40:16-23).

A prisão dos dois servos de Faraó (Gênesis 40:1-8)
Gênesis 40 começa dizendo que o mordomo-chefe e o padeiro-chefe da corte egípcia ofenderam a Faraó. O rei do Egito ficou indignado e mandou prendê-los na casa do comandante da guarda. Então enquanto esperavam a sentença de Faraó, providencialmente eles foram parar no cárcere onde José estava preso (Gênesis 40:1-3). O copeiro e o padeiro da corte eram posições de extrema confiança. Um servia a bebida do rei; o outro assava o seu pão.
Como José havia ganhado a confiança do comandante da guarda, este colocou os dois presos a cargo de José durante o tempo em que permaneceram presos (Gênesis 40:4). O texto bíblico diz que os dois oficiais sonharam cada qual um sonho na mesma noite. Cada sonho tinha seu próprio significado (Gênesis 40:5).
Quando José viu os dois oficiais pela manhã, percebeu que eles estavam turbados – ou literalmente tristes. Então José questionou os dois sobre o motivo pelo qual eles estavam com o semblante triste. Os dois oficiais responderam que eles sonharam durante a noite e não havia ninguém que pudesse interpretar os sonhos que tiveram. Diante disso, José disse aos dois homens: “Porventura, não pertencem a Deus as interpretações? Contai-me o sonho” (Gênesis 40:8).
No antigo Oriente Próximo, as pessoas davam grande significância aos sonhos, pois elas acreditavam que um sonho poderia servir como um meio de discernir o futuro. Por isso praticamente em todas as cortes reais havia sábios que eram tidos como intérpretes profissionais de sonhos. Isso explica a tristeza dos dois oficiais, pois naquela prisão eles julgavam não ter ninguém habilitado para interpretar os sonhos que tiveram.
Porém, José corrigiu a crença pagã daqueles homens apontando para a soberania divina. Ele disse que somente de Deus pode vir as verdadeiras interpretações. Ao pedir que aqueles homens lhe contassem seus sonhos, José estava considerando que a fonte do dom de interpretação está em Deus, e Ele comunica esse dom a quem lhe convém.
Na história bíblica, apenas José e o profeta Daniel foram usados por Deus para interpretar sonhos enquanto estavam em terra estranha e serviam monarcas pagãos (cf. Daniel 2:28).

O sonho do copeiro-chefe (Gênesis 40:9-15)
O copeiro-chefe foi o primeiro a contar o seu sonho a José. Ele disse que em seu sonho havia uma videira, e na videira havia três ramos. Quando a videira brotou, havia três flores e seus cachos produziram uvas maduras. O copeiro-chefe disse que no sonho ele também estava segurando o copo de Faraó. Então ele pegou as uvas e as espremeu no copo e entregou a Faraó (Gênesis 40:9-11).
José interpretou o sonho do copeiro-chefe dizendo que os três ramos representavam três dias. Isso significava que dentro de três dias ele seria perdoado por Faraó e reabilitado em seu cargo. Então como seu copeiro, novamente ele poderia servir a Faraó dando-lhe seu copo em sua mão (Gênesis 40:12,13).
O texto hebraico usa uma expressão que indica que Faraó ergueria a cabeça do copeiro e o colocaria novamente em sua posição original, isto é, ele restauraria a honra daquele homem.
Depois José pediu que quando o copeiro-chefe estivesse bem, que fosse bondoso e se lembrasse dele, falando a seu respeito a Faraó. Ele queria sair daquela prisão, pois havia sido injustiçado. Ele tinha sido tirado da casa de seu pai e levado para o Egito, e mesmo sem ter feito nada para merecer, foi lançado naquela masmorra (Gênesis 40:14,15).
No apelo de José é possível perceber toda sua frustração. Embora o local de seu aprisionamento não fosse o pior lugar, de forma dramática ele designou o local como uma “masmorra”. Apalavra hebraica usada significa literalmente “cova”, “poço” ou “cisterna”.
Também é interessante a forma como José se refere à terra de Canaã. Ele disse que havia sido “roubado da terra dos hebreus” (Gênesis 40:15). Aqui vale lembrar que naquele tempo a casa de Jacó ainda era peregrina naquela terra. Então provavelmente José havia compreendido a promessa feita por Deus na aliança estabelecida com Abraão que garantia a posse definitiva daquela terra. Isso está de acordo com o pedido de José para que os israelitas levassem junto deles seus ossos quando o Senhor os visitasse e lhes tirassem do Egito (cf. Êxodo 13:19).

O sonho do padeiro-chefe (Gênesis 40:16-23)
Gênesis 40 diz que o padeiro-chefe viu que a interpretação do sonho dada por José era boa, e também lhe contou o seu sonho. Ele disse que em seu sonho havia três cestos de pão branco sobre sua cabeça. No cesto mais alto havia todo tipo de comida que um padeiro costumava fazer para Faraó. Mas no sonho as aves comiam do cesto que estava sobre sua cabeça (Gênesis 40:16,17).
O cenário do sonho do padeiro de Faraó está em harmonia com materiais já encontrados da cultura egípcia antiga. Há gravuras que retratam padeiros carregando cestos na cabeça.
A interpretação do sonho do padeiro-chefe não lhe era favorável. José disse a ele que os três cestos também representavam três dias. Mas diferentemente do que haveria de suceder ao copeiro-chefe, dentro de três dias Faraó mandaria cortar a cabeça do copeiro e o penduraria num madeiro. Então as aves do céu comeriam sua carne (Gênesis 40:18,19).
Curiosamente há uma pequena variação no hebraico que difere essa expressão daquela usada para falar da posição exaltada do copeiro. Na primeira, a expressão significa literalmente “levantará tua cabeça”. Já na segunda, a expressão significa “tirará fora a cabeça”.
Gênesis 40 ainda mostra que as interpretações dos sonhos realmente se cumpriram. Em três dias aconteceu o aniversário de Faraó e ele ofereceu um grande banquete a todos os seus servos.
Então naquela ocasião ele reabilitou o copeiro-chefe e condenou o padeiro-chefe, ou seja, ele reintegrou o copeiro-chefe no seu cargo, no qual servia diretamente a Faraó, mas mandou enforcar o padeiro-chefe, tal como José havia falado (Gênesis 40:20-22). Materiais descobertos do Egito antigo registram o costume dos Faraós libertarem prisioneiros em ocasiões especiais.
A palavra que informa que o padeiro-chefe foi enforcado, não indica um método de execução, mas tem mais a ver com a exibição pública do corpo pendurado do condenado após a morte. O capítulo termina dizendo que apesar de ter ficado bem, o copeiro-chefe se esqueceu de José (Gênesis 40:23).

<Estudo Gênesis 39
Estudo Gênesis 41>

Estudo Gênesis 39

Gênesis 39 é o capítulo que registra a chegada de José ao Egito como escravo. O estudo bíblico de Gênesis 39 ainda revela o serviço de José na casa de Potifar e explica como ele permaneceu fiel ao Senhor ao ser tentado pela mulher do oficial egípcio.
Um esboço de Gênesis 39 pode ser organizado em três partes principais:
• O privilégio de José na casa de Potifar (Gênesis 39:1-6).
• A tentação e o plano da mulher de Potifar contra José (Gênesis 39:7-19).
• José na prisão (Gênesis 39:20-23).

O privilégio de José na casa de Potifar (Gênesis 39:1-6)
Depois do interlúdio de Gênesis 38 que trata da situação decadente de Judá e seus filhos, Gênesis 39 retoma à narrativa sobre José no Egito. Antes, Gênesis 37 já havia explicado como ele foi parar no Egito após ser traído e vendido por seus irmãos.
Então Gênesis 39 começa reafirmando que os mercadores ismaelitas negociaram José com Potifar, um homem egípcio que servia a faraó como comandante de sua guarda (Gênesis 39:1). Mas mesmo estando na posição de escravo numa terra estranha, o texto bíblico afirma que o Senhor era com José. Inclusive, essa afirmação é o tema central de Gênesis 39. Por quatro vezes o escritor bíblico enfatiza que José contava com o benefício da presença de Deus (Gênesis 39:2,3,21,23).
Então o improvável aconteceu: um escravo “veio a ser homem próspero” (Gênesis 39:2). Potifar percebeu como José era abençoado e lhe colocou por mordomo de sua casa. O texto bíblico diz que Potifar entregou a José tudo o que possuía e de nada sabia, “além do pão com que se alimentava”. Isso significa que ele não se preocupava com nada, se não com seus assuntos íntimos. A Bíblia ainda diz que desde que José se tornou mordomo de Potifar, a casa daquele homem egípcio foi abençoada por Deus grandemente (Gênesis 39:2-6).
Aqui fica muito claro que jamais José esteve abandonado pelo Senhor. Ele sofreu injustiças, foi vendido como escravo, foi acusado falsamente e acabou sendo aprisionado. Mas o cuidado divino repousava sobre a vida de José no Egito. Ele foi abençoado pelo Senhor na casa de Potifar, na prisão egípcia, e também no palácio de Faraó. Embora aos olhos humanos a situação parecesse estar fora do controle, na verdade Deus estava executando o Seu propósito soberano.
A tentação e o plano da mulher de Potifar contra José (Gênesis 39:7-19)
Gênesis 39 diz que José era formoso de porte e de aparência (Gênesis 39:6). Isso acabou chamando a atenção da mulher de Potifar. O texto bíblico informa que ela colocou os olhos sobre José e desejou ter relações com ele (Gênesis 39:7).
Mas José recusou o convite daquela mulher e explicou que jamais teria qualquer coisa com ela. José disse que nunca trairia a confiança de Potifar que havia lhe colocado numa posição privilegiada em sua casa. José considerou que ter qualquer relacionamento com aquela mulher era uma grande maldade para com Portifar e um terrível pecado contra Deus (Gênesis 39:9).
Embora a mulher de Potifar quisesse adulterar com José, o adultério era considerado uma transgressão muito grave pelos povos do antigo Oriente Próximo. Inclusive, códigos de leis antigos normatizavam as punições que deviam ser aplicadas aos adúlteros. Apesar disso, acima de tudo o compromisso de José era realmente com o Senhor. Ele andava com Deus e entendia a importância de uma vida santificada e moralmente correta.
Entretanto, o texto bíblico registra que mesmo diante da reprovação de José, a mulher de Potifar era insistente. Ela tentava a José diariamente (Gênesis 39:10). Então num certo dia, quando José veio foi tratar de alguns assuntos na casa de Potifar, a mulher do egípcio se aproveitou que sua casa estava vazia e agarrou José pelas vestes para que ele se deitasse com ela. Porém, José fugiu para fora deixando suas vestes nas mãos da mulher (Gênesis 39:11,12).
A mulher não gostou de mais uma vez ter sido rejeitada. Então ela utilizou as vestes que José deixou para trás ao fugir dela, para acusá-lo de assédio. Ela alegou que José foi quem a procurou para ter relações, e precisou gritar para que ele fosse embora (Gênesis 39:13,14).
Aquela mulher perversa guardou as vestes de José até que seu marido chegasse a casa. Quando Potifar chegou, ela acusou José perante ele e lhe mostrou as vestes de José como provar de sua alegação. A Bíblia diz que Potifar ficou irado ao ouvir as palavras de sua mulher (Gênesis 39:16-19).

José na prisão (Gênesis 39:20-23)
Gênesis 39 informa que Potifar lançou José na prisão em que os presos de faraó também estavam encarcerados. De certa forma, isso mostra que provavelmente Potifar não acreditou totalmente no testemunho de sua mulher. Alguns estudiosos afirmam que a pena de morte geralmente era a punição aplicada a um escravo que fosse acusado de tentativa de estupro de uma mulher da família de seu senhor.
O escritor bíblico mais uma vez faz questão de enfatizar que o Senhor era com José e lhe abençoou, mesmo na prisão (Gênesis 39:20,21). José achou graça diante do carcereiro, que lhe confiou o cuidado de todos os presos que estavam na prisão.
Assim como Potifar não tinha qualquer preocupação com os assuntos da administração de sua casa, o carcereiro também não tinha qualquer preocupação com a administração dos presos no cárcere. Portanto, Gênesis 39 termina dizendo que tudo o que José fazia na prisão o Senhor prosperava.
Alguns comentaristas sugerem que os eventos registrados em Gênesis 39 e nos capítulos seguintes, prefiguraram a experiência do povo de Israel no Egito. José experimentou um privilégio inicial na casa de Potifar e depois passou por aflição e aprisionamento, até que foi finalmente libertado.
O mesmo também aconteceu com Israel. Enquanto José esteve vivo os israelitas tiveram uma condição confortável no Egito. Mas depois se levantou um faraó que não conhecia José e escravizou o povo. Somente depois de muito tempo é que os israelitas foram libertados e partiram do Egito para formarem uma nação.

<Estudo Gênesis 38
Estudo Gênesis 40>

Estudo Gênesis 38

Gênesis 38 registra a terrível história envolvendo Judá e Tamar. O estudo bíblico de Gênesis 38 mostra como a família da aliança começou a se corromper em Canaã através do casamento misto de Judá. Mas no final, um capítulo que registra tanta maldade e imoralidade também aponta para a graça e a providencia de Deus.
O capítulo 38 de Gênesis é um interlúdio na narrativa da história de José que havia sido vendido como escravo no Egito (Gênesis 37). Mas não se trata de um desvio anacrônico da história. O escritor bíblico deixa claro que os eventos narrados em Gênesis 38 se deram naquela mesma época (Gênesis 38:1).
Isso significa que o episódio de Judá e Tamar foi contemporâneo ao tempo da escravidão de José no Egito. Além do mais, esse parêntesis na história de José serve como um contraste entre a piedade do irmão que estava sendo escravo no Egito e a imoralidade do outro irmão que estava livre em Canaã.
O esboço de Gênesis 38 pode ser organizado da seguinte forma:
• O casamento de Judá (Gênesis 38:1-5).
• A história dos filhos de Judá (Gênesis 38:6-11).
• O plano de Tamar (Gênesis 38:12-23).
• A revelação do pecado de Judá (Gênesis 38:24-30).

O casamento de Judá (Gênesis 38:1-5)
Gênesis 38 começa relatando a fragmentação da família da aliança. Judá se apartou de seus irmãos e se hospedou na casa de um homem de Adulão, uma cidade cananéia que ficava a pouco mais de um quilometro a noroeste de Hebrom (Gênesis 38:1).
Naquele lugar Judá conheceu Bath-Sua, uma mulher que era filha de um cananeu. Judá tomou Bath-Sua por mulher e teve filhos com ela (Gênesis 38:2-5,12). Isso quer dizer que Judá não apenas se separou geograficamente de seus irmãos, mas se integrou aos cananeus casando com uma de suas mulheres.
O Antigo Testamento frequentemente mostra como a mistura com outros povos sempre foi uma ameaça à identidade distintiva do povo da aliança. Aqui em Gênesis 38 é uma dessas vezes em que os descendentes de Abraão estiveram próximos de serem assimilados por um povo pagão. Contudo, José já havia sido enviado ao Egito – local para onde mais tarde todos os seus irmãos também seriam levados.
Nesse ponto podemos enxergar a providencia de Deus. Se por um lado o Egito foi a terra onde os israelitas foram segregados depois da morte de José, por outro lado também foi a terra em que Deus preservou a identidade de seu povo levantando-o como uma grande nação.

A história dos filhos de Judá (Gênesis 38:6-11)
O texto bíblico diz que Judá providenciou uma esposa para Er, seu filho mais velho. O nome dessa esposa era Tamar. Mas Er foi um homem perverso perante o Senhor e acabou sendo castigado com a morte pela justiça divina (Gênesis 38:6,7).
Como Tamar não havia engravidado, o irmão mais novo de seu marido deveria assumi-la como esposa e suscitar descendência ao marido falecido conforme a lei do levirato (Gênesis 38:8). O problema é que Onã, o irmão mais novo de Er que tomou Tamar como esposa, também era um homem mau.
Uma vez casado com Tamar, Onã se negou a engravidá-la para não gerar posteridade a seu irmão. Isso porque o seu primeiro filho com Tamar seria contado como o filho mais velho de seu irmão que era o primogênito na casa de seu pai. Em outras palavras, o direito de primogenitura de Er não seria mais dado a Onã, mas seria concedido ao seu filho com Tamar.
Então para evitar ter um filho com Tamar, Onã praticava o coito interrompido – um dos métodos contraceptivos naturais mais antigos na história da humanidade (Gênesis 38:9). A atitude de Onã foi perversa, egoísta e depravada. Ele desrespeitou Tamar e apenas a usou para satisfazer seus próprios desejos.
O resultado da conduta de Onã também foi a morte (Gênesis 38:10). Depois da morte de Onã, Judá enviou sua nora viúva de volta à casa dos pais dela, mas prometeu que quanto seu filho mais novo fosse um homem ele lhe daria em casamento (Gênesis 38:11).
Essa era apenas uma desculpa de Judá que supersticiosamente enxergou Tamar como uma mulher que trouxe desgraça aos seus filhos. Então na verdade Judá tinha medo de que Selá, seu filho mais novo, também viesse a morrer como seus irmãos. Ele não percebia que seus outros filhos foram mortos por causa da própria impiedade deles.

O plano de Tamar (Gênesis 38:12-23)
Tamar era uma viúva sem descendência. Isso basicamente significava que Tamar estava condenada a um futuro de desgraça e abandono, a menos que Judá honrasse sua palavra e o costume do levirato e entregasse seu filho mais novo para desposá-la. Mas não foi isso que aconteceu. Judá realmente não queria que mais um filho seu se casasse com Tamar.
Então num certo momento Judá subiu a um lugar chamado Timna para tosquiar as ovelhas. No mundo antigo a tosquia das ovelhas geralmente era associada a uma grande festa que envolvia práticas pagãs de culto à fertilidade. Tamar ficou sabendo que seu sogro estava ali e viu naquela oportunidade a única forma de garantir seus direitos e proteger a herança de seu marido falecido (Gênesis 38:12-14).
Para tanto, Tamar se disfarçou de prostituta cultual e com o rosto coberto se aproximou de Judá (Gênesis 38:15). Obviamente o plano de Tamar revelava o tipo de conduta imoral que caracterizava Judá. De alguma forma ela sabia que ele se interessaria e não resistiria a uma prostituta.
Conforme planejado por Tamar – que estava com o rosto coberto –, Judá não a reconheceu. Então ela negociou um preço para ter relações com Judá, a saber, um cabrito que lhe seria enviado depois. Mas Tamar pediu a Judá uma garantia de que o pagamento seria honrado.
Então ela pediu que Judá lhe deixasse seu selo, o seu cordão e o seu cajado. Esses três itens eram objetos identificadores irrefutáveis. No antigo Oriente Próximo um homem proeminente carregava um selo cilíndrico preso a uma corda ao redor do pescoço. Esse selo servia para assinar contratos.
Judá cedeu às exigências de Tamar e teve relações com ela – sem saber que estava se relacionando com sua própria nora. Depois disso Tamar foi embora, tirou o véu que cobria seu rosto e voltou a vestir as vestes características de uma viúva (Gênesis 38:19). Mais tarde, quando Judá enviou o pagamento conforme acordado com Tamar, nenhuma prostituta cultual foi encontrada naquele lugar (Gênesis 38:20-23).

A revelação do pecado de Judá (Gênesis 38:24-30)
Três meses depois, Judá ficou sabendo que sua nora Tamar estava grávida. Rapidamente Judá ordenou que ela fosse executada por ser culpada de imoralidade. Mas antes que Tamar pudesse ser queimada, ela revelou que havia concebido do homem que era dono do selo, do cordão e do cajado que estavam em sua posse (Gênesis 38:24,25).
Diante dessa revelação Judá reconheceu que havia negligenciado suas obrigações legais, enquanto Tamar havia permanecido fiel na defesa dos direitos de herança. Por isso Judá anulou a sentença de morte e declarou que Tamar era mais justa do que ele. Depois disso, a Bíblia diz que Judá nunca mais teve relações com Tamar (Gênesis 38:26).
Tamar acabou engravidando de gêmeos. Ao dar à luz, algo curioso aconteceu. O braço de um dos gêmeos saiu primeiro e a parteira o marcou com um fio identificando-o como primogênito. Mas o menino recolheu a mão e o outro gêmeo acabou nascendo primeiro. Este foi chamado Perez, e o outro foi chamado Zera (Gênesis 38:27-30).
Essa desastrosa história de Judá e Tamar aponta para a misericórdia e a graça de Deus. Isso porque Perez, o primogênito dos gêmeos frutos de uma relação imoral, acabou sendo contado na genealogia de Jesus Cristo. Ele entrou na linhagem messiânica sendo um ancestral do rei Davi através de Boaz, o marido de Rute (Rute 4:18-22; cf. Mateus 1:3). Assim, Gênesis 38 nos lembra de que o eterno propósito divino não pode ser frustrado pela imperfeição humana.

<Estudo Gênesis 37
Estudo Gênesis 39>

Estudo Gênesis 37

Gênesis 37 é o capítulo que registra o episódio em que José foi vendido pelos seus irmãos. O estudo bíblico de Gênesis 37 revela as intrigas na família de Jacó e o cuidado providencial do Senhor.
Esse capítulo abre a última seção do livro de Gênesis e trata exclusivamente da história de Jacó e seus descendentes (Gênesis 37-50). A história começa de forma dramática – com uma grande traição familiar –, mas mostra como Deus, em sua providência, graciosamente usou essa situação para conduzir todas as coisas ao cumprimento do seu bom propósito.
O esboço de Gênesis 37 pode ser organizado da seguinte forma:
• A intriga na família de Jacó (Gênesis 37:1-4).
• Os sonhos de Jacó (Gênesis 37:5-11).
• O atentado dos irmãos de José (Gênesis 37:12-24).
• José é vendido por seus irmãos (Gênesis 37:25-28).
• A tristeza de Jacó (Gênesis 37:29-36).

A intriga na família de Jacó (Gênesis 37:1-4)
Gênesis 37 começa falando do tempo em que a família de Jacó já estava habitando em Canaã (Gênesis 37:1). Com dezessete anos de idade, José – um dos filhos de Jacó – apascentava os rebanhos de seu pai com seus irmãos. Mas aparentemente os irmãos de José não agiam corretamente, porque o escritor bíblico informa que José “trazia más notícias deles a seu pai” (Gênesis 37:2). O texto bíblico não explica se ele fazia isso por iniciativa própria ou a pedido do pai – embora essa última possibilidade seja a mais provável.
A Bíblia também diz que Jacó amava mais a José do que a todos os seus filhos. Por isso ele lhe deu uma túnica ornamentada que indicava sua posição de filho preferido (Gênesis 37:3). Curiosamente esse versículo revela que Jacó repetiu os erros de seus pais, Isaque e Rebeca.
Isaque tinha Esaú como filho preferido, enquanto que Rebeca preferia Jacó (Gênesis 25:28). O resultado foi que esse favoritismo acabou promovendo a discórdia na família de Isaque e resultou na fuga de Jacó para longe de casa durante muitos anos (Gênesis 27). Embora a situação fosse diferente, a mesma história voltaria a se repetir. José seria levado para longe de casa.
O favoritismo de Jacó por José alimentou a ira invejosa de seus outros filhos. Eles odiavam tanto a José que nem havia mais um diálogo pacífico entre eles. A expressão hebraica indica que os irmãos de José não podiam saudá-lo com a paz (Gênesis 37:4).

Os sonhos de Jacó (Gênesis 37:5-11)
Gênesis 37 relata que José teve dois sonhos que afloraram ainda mais a ira de seus irmãos. No primeiro sonho José e seus irmãos estavam no campo atando os feixes da colheita. Então o feixe que ele tinha preparado se levantou e ficou de pé, enquanto que os feixes de seus irmãos rodearam e se inclinaram perante o dele (Gênesis 37:8). Quando José contou o sonho a seus irmãos, eles lhe questionaram: “Reinarás, com efeito, sobre nós? E sobre nós dominarás realmente?” (Gênesis 37:8).
No segundo sonho José viu o sol, a lua e onze estrelas se inclinando perante ele. Novamente José contou o sonho a seus irmãos e a seu pai, e foi repreendido. O próprio Jacó lhe disse: “Que sonho é esse que tiveste? Acaso, viremos, eu e tua mãe e teus irmãos, a inclinar-nos perante ti em terra?” (Gênesis 37:10). A “mãe” mencionada por Jacó provavelmente era uma referência a Lia, a madrasta de José, pois sua mãe, Raquel, já havia falecido naquele tempo (Gênesis 35:16-20).
Obviamente os dois sonhos destacam a mesma mensagem: José teria uma posição proeminente na família da aliança. Esses não foram sonhos comuns, mas foram revelações da parte de Deus acerca do que logo haveria de acontecer. A repetição da mensagem, inclusive, indica que seu cumprimento era inevitável. Como diz Bruce Waltke, os sonhos proféticos de José mostram que o propósito de Deus estava por detrás de todos os eventos da história que estava sendo desenvolvida.
De fato tudo aconteceu conforme Deus revelou a José em sonhos. A pergunta de seus irmãos: “Reinarás, com efeito, sobre nós?” foi literalmente respondida quando José foi levado ao posto de governador de toda a terra do Egito e acabou também governando sobre sua família que se mudou para aquelas terras. Além disso, posteriormente José recebeu o direito de primogenitura e a porção dobrada de seu pai (Gênesis 48:5,6).
Embora Jacó tenha inicialmente repreendido José pelos sonhos, a Bíblia diz que ele “considerava o caso consigo mesmo”. Isso quer dizer que secretamente ele continuava a ponderar sobre o significado dos sonhos de José.

O atentado dos irmãos de José (Gênesis 37:12-24)
Quando os filhos de Jacó estavam apascentando os rebanhos em Siquém, Jacó enviou José desde Hebrom para que ele pudesse lhe trazer notícias (Gênesis 37:12-14). Siquém ficava localizada a cerca de oitenta quilômetros de Hebrom.
José foi a Siquém, mas não conseguiu encontrar seus irmãos. Um homem que o viu andando pelo campo foi quem o informou que seus irmãos tinham ido até Dotã. Então José seguiu viagem para se encontrar com seus irmãos (Gênesis 37:15-17).
Dotã ficava a mais de vinte quilômetros ao norte de Siquém. A sequência da narrativa bíblica mostra que essa mudança de itinerário foi algo providencial. Isso porque nas proximidades de Dotã ficava a via comercial principal usada por comerciantes que seguiam para o Egito.
Os irmãos de José o viram de longe e conspiraram contra ele. O plano era matar José, lançar seu corpo numa cisterna e depois dizer a Jacó que um animal selvagem o devorou. Mas Rúben escutou o plano de seus outros irmãos e não deixou que eles tirassem a vida de José. Ele conseguiu convencê-los de jogar José numa cisterna vazia. O objetivo de Rúben era proteger José e devolvê-lo a seu pai (Gênesis 37:21,22).
Rúben era o irmão mais velho e assumiu a liderança de seus irmãos. Quando José chegou, rapidamente seus irmãos lhe tiraram a túnica que ele havia recebido como presente de Jacó, e o lançaram na cisterna (Gênesis 37:24).

José é vendido por seus irmãos (Gênesis 37:25-28)
Enquanto José estava preso na cisterna, seus irmãos se alimentavam de pão. Então eles viram uma caravana de ismaelitas que vinha de Gileade e seguia em direção ao Egito. No mesmo texto os ismaelitas também são identificados como midianitas. Tanto os ismaelitas quanto os midianitas eram descendentes de Abraão e obviamente acabaram se misturando (cf. Gênesis 25:2,12).
Foi nesse momento que Judá teve a ideia de vender José aos comerciantes ismaelitas ao invés de sujar as mãos com o sangue do próprio irmão ao matá-lo. Judá viu uma forma de lucrar com a desgraça de seu irmão mais novo. Os outros irmãos de José concordaram com a proposta de Judá. Assim, José foi vendido aos ismaelitas pela quantia de vinte siclos de prata (Gênesis 37:3). Os estudiosos dizem que esse era o preço médio de um escravo naquele tempo.
Historicamente os cristãos têm enxergado um paralelo entre a vida do Senhor Jesus e a história de José, que foi traído por seus irmãos e vendido sem dignidade por vinte peças de prata (cf. Mateus 26:15). Tal como José, o Senhor Jesus foi perseguido e tentado, mas saiu vitorioso. Ele salvou e reconciliou o seu povo e foi exaltado soberanamente sobre todos (cf. Filipenses 2:9,10). É nesse sentido que José é identificado pelos crentes como um tipo de Cristo.

A tristeza de Jacó (Gênesis 37:29-36)
Quando Rúben voltou à cisterna, seus irmãos já tinham vendido José. Ele ficou muito preocupado a ponto de rasgar suas vestes. Ele sabia que como filho mais velho teria que dar uma explicação a seu pai.
Então os irmãos de José seguiram com a parte do plano que faria Jacó acreditar que José havia morrido. Eles mataram um bode e molharam a túnica de José no sangue. Depois eles entregaram a túnica de José a Jacó que prontamente reconheceu que a aquela realmente era a túnica de seu filho favorito. Ao ver a túnica, Jacó acreditou que um animal selvagem tinha matado José (Gênesis 37:31-33).
Jacó ficou profundamente entristecido e lamentou muito a suposta morte de José. Mas ao ler sobre como Jacó foi enganado por seus próprios filhos, é impossível não se lembrar do episódio em Jacó também enganou seu próprio pai ao ocupar o lugar de seu irmão que era o filho favorito (Gênesis 27).
Gênesis 37 termina mostrando não apenas a tristeza de Jacó, mas também informando o paradeiro de José. Ele foi levado pelos midianitas ao Egito, onde foi vendido como escravo para servir na casa de Potifar, o comandante da guarda de Faraó. Essa história tinha tudo para terminar de forma trágica e sem qualquer esperança. Mas da forma mais improvável, o escravo se tornaria o governador da nação mais poderosa da terra naquele tempo, e serviria como o salvador de seu povo num tempo de grande crise. Deus estava no controle!

<Estudo Gênesis 36
Estudo Gênesis 38>

Aleluia!!!

Qual a origem do termo "Hebreu"?

O primeiro testemunho da existência desse termo se encontra nos arquivo do Egito. A palavra ali presente é “khabiri” (na verdade uma palavr...